01.07.2008

[12:15:35]

SEXO: SELVAGEM, ROMÂNTICO… LÚDICO, POR QUE NÃO?

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Sexo Lúdico. Durante anos o UNV defende a idéia da possibilidade de tornar o sexo mais divertido, sem preconceitos, libertador.

Diante de tantas evoluções tecnológicas, conceitos repensados a respeito das sexualidades, por que tantos ainda relutam em se adaptar ao novo mantendo-se “fiéis” ao mesmo modelo de sexo praticado nos tempos da vovó?

Que tal um update e, por que não, um upgrade, na sua maneira de pensar e de fazer sexo?

Por exemplo, vai dar um presentinho pra namorada? Em vez de bichinhos de pelúcia, roupinhas, flores ou bombons, que tal um brinquedinho que vocês 2 poderão aproveitar?

O UNV fez uma seleção dos brinquedinhos da nossa sex shop favorita, e que tem tudo a ver com a nossa sugestão.

Vibradores. Sim, esses brinquedinhos especiais são um MUST para brincadeiras individuais ou a 2. Você vai encontrá-los nos mais variados tamanhos e formatos. Dos mais simplesinhos aos mais sofisticados. Um bem básico e ótimo é o bullet, que simplesmente é maravilhoso para massagear o clitóris durante o sexo oral ou para colocar entre as duas durante o tribadismo… e você com certeza vai descobrir outras utilidades para esse brinquedinho.

Mas se você quer discrição, que tal um vibradorzinho camuflado para você levar na bolsa? Super femme.

E pra hora do banho, uma esponja com surpresa! Sua chuveirada nunca mais vai ser a mesma…

E para fazer o básico também tem novidades. Capinhas para os dedos e para a língua em gel dão literalmente um toque especial aos clássicos do prazer.

E que tal dar um novo sabor ao sexo oral: os óleos e géis comestíveis para sexo oral são a pedida para o cardápio.

E quem nunca teve curiosidade sobre as tais calcinhas e sutiãs comestíveis? São feitos à base de gelatina e dissolvem na sua boca.

E não é que inventaram até uma lingüinha massageadora texturizada! Serve para quem tá sozinha ou mesmo para quem quer inventar novas brincadeiras com a namorada.

Pompoarismo e sensibilizadores de clitóris. Pois é, além de trabalhar a mente e malhar o corpo você também pode dar um upgrade na sua “xana”. Pompoar melhora a elasticidade dos músculos internos da sua vagina aumentado sua capacidade de dar e receber prazer… e os sensibilizadores e desenvolvedores prometem aumentar o tamanho do seu clitóris e assim, como o próprio nome indica, aumentar a sensibilidade e melhorar os seus orgasmos.

Para quem quer mais romantismo e relaxamento sugerimos massagens… hummm. E nem precisa fazer cursos de shiatsu nem nada. Use seu instintos e a capacidade natural que todos temos de fazer carinho e vá em frente. Você ainda pode ter ajuda de uns apetrechos ou simplesmente óleos de massagem… o importante é que suas mãos deslizem pelo corpo da amada como se você estivesse tocando a mais deliciosa das criaturas. A sua deusa. E ainda na linha do pompoarismo, tem até umas bolinhas para massagem vaginal que podem complementar ainda mais esse momento.

Estão sem idéias? Gostam de ler? Que tal um livro? Você pode encontrar desde o Kama Sutra de Bolso e técnicas para enlouquecer sua gata, até o romantismo e relatos de amor entre lésbicas, além de guias eróticos. Essa é uma boa idéia também para presentear as amigas. É não tem só sexo não, há também o humor de Astrologia para Gays e Lésbicas.

Ainda na linha humor e risadas, tente os peitinhos ou a bucetinha pula-pula movidos à corda, ou os dadinhos do sexo… depois de uma taça de espumante, eles podem arrancar belas risadas… e grandes orgasmos.

And last but not least, the dildos. Já tá mais do que na hora de você se libertar dos preconceitos e entender que dildos, harnesses (strap-ons) são totalmente LÉS!! Como já cansamos de dizer por aqui, a vagina de uma lésbica é idêntica a vagina de uma hetero (isso é óbvio, mas tem gente que esquece!) e portanto com igual sensibilidade, inclusive à penetração. Nada mais queer do que transar de dildo com sua namorada.

E se quiser ousar ainda mais, surpreenda-a com o Accomodator - um verdadeiro must!!

A grana tá curta e nem dá para pensar em nada disso aí? Use a criatividade! Uma lata de leite condensado, um picolé, pastilhas Halls e uvas são clássicos do sexo gastronômico. Abra a geladeira e delicie-se. Que tal espalhar passas, pastilhas de chocolate… pelo corpo de sua gata e ir recolhendo uma a uma com a boca?

Um simples creme hidratante ou um vidrinho de óleo de amêndoas também servem para uma boa massagem. Se gostar, um incenso no quarto e as músicas preferidas de vocês 2 também ajudam a criar um bom cenário.

Enfim, crie, inove… open mind!
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Nota UNV:
Todas as sugestões de produtos citados no texto podem ser vistos e/ou adquiridos no site da EROSMANIA.
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COPYRIGHT TEXTO © UVA NA VULVA 2003-2006

Postado por BF.

28.06.2008

[15:48:26]

28 DE JUNHO - DIA MUNDIAL DO ORGULHO LGBTTI

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Por que será que incomodamos tanto? Do que ou de que, afinal, “eles” tem tanto medo?
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Neste dia 28 de junho, Dia Mundial do Orgulho Gay, lembramos Stonewall e os 39 anos de luta pelas nossas causas. Stonewall é um marco na história do movimento gay. É o ponto de partida para a organização dos homossexuais.

Várias seriam as possibilidades, tanto de fatos quanto de pessoas, para prestarmos hoje uma homenagem. Escolhi Alan Turing pelas razões óbvias que podem ser comprovadas no texto abaixo.

Acredito que, após a leitura do texto, fique claro as razões e o porquê de minha escolha.

Histórias como a de Alan Turing, assim como as histórias de centenas de outros gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e etc, que fizeram e fazem a diferença na humanidade como um todo, creio, justificam a motivação de ostentarmos com tanto orgulho a palavra “orgulho”. Até porque, diante dos verdadeiros valores, orientação afetiva/sexual nunca deveria ser motivo de vergonha.
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Alan Turing: O Pai dos Computadores e a Maçã Envenenada

por Thereza Pires

1954 foi um ano pouco comum. O imunologista Jonas Salk descobre a vacina contra poliomielite - mais tarde, aperfeiçoada pelo Dr. Albert Sabin. A batalha de Dien Bien Phu termina com a derrota da França e a Conferência de Genebra formaliza a divisão do Vietnam em dois. Mais uma derrota: A Frente Nacional de Libertação da Argélia se revolta contra o domínio da França. Elvis Presley começa a carreira profissional. Aqui no Brasil, Getúio Vargas comete suicídio e Juscelino Kubitschek é indicado candidato à presidência da República. Ernest Hemingway ganha o Nobel de Literatura e Linus Pauling o de Química. Angela Merkel nasce na Alemanha e Condoleeza Rice, nos Estados Unidos.

Em 7 de junho, Alan Turing - considerado o pai dos computadores, matemático, criptólogo que decifrou as mensagens da máquina Enigma que mandava as ordens de Hitler para seus comandados - morde uma maçã mergulhada em cianureto de potássio no seu quarto em Wilmslow, Cheshire. Por ironia, ao dar queixa à polícia de roubo praticado por um namorado, passou de vítima a réu. Condenado por prática de homossexualidade, teve o “benefício” de optar entre o encarceramento e se submeter a tratamento hormonal - uma espécie de castração química. Touring optou pela segunda hipótese mas não resistiu à depressão causada pelos efeitos dos estrogênios, hormônios femininos inoculados em seu organismo. Apenas em 1969, o Reino Unido descriminalizou a orientação sexual de quem “pensava diferente”. Consta que o logo criado para o lançamento da Apple (1977) - uma maçã mordida com as cores do arco íris - seria referência e homenagem da empresa ao cientista, considerado um dos maiores gênios do século XX.

Solidão profunda e auto-superação

O diplomata britânico, servindo na índia, Julius Mathison Turing e sua esposa grávida Ethel Sarah desejavam que seu filho ou filha tivesse nacionalidade inglesa e deixaram Chatrapur em direção a Paddington, onde Alan Mathison Turing nasceu, em 23 de junho de 1912. Deixaram o bebê e seu irmão mais velho com amigos ingleses até a idade escolar, pois eram “muito solicitados para viagens”. No período de seis anos, compreendido entre o aparente abandono explicado como o “desejo de não colocar em perigo a saúde das crianças, que estariam em constante contato com as moléstias existentes na colônia inglesa” e a matrícula no Colégio St. Michael, o menino aprendeu a ler sozinho em 3 semanas e mostrou grande interesse por números e quebra-cabeças. A genialidade, logo percebida por todos os professores, fez com que fosse matriculado em Sherbone (em Dorset), aos 14 ano. O primeiro dia de aula coincidiu com uma greve geral no país. Turing estava tão ansioso que correu os mais de 30 km que separavam Southampton da nova escola, em tempo recorde. A façanha foi noticiada na imprensa local. Tomou gosto pelo desafio do esporte e tornou-se maratonista. Em 1949, concluiu a prova em 2 horas, 46 minutos e 3 segundos, disputando classificação para os Jogos Olímpicos. Uma perna quebrada encerrou a carreira e os pódios.

Mas o grande interesse era mesmo direcionado à matemática e Turing não se adaptava bem aos cursos normais de Sherbone. Assim, aos 16 anos, descobriu os trabalhos de Einstein. Captou a essência, compreendeu a mensagem e apoiou as críticas de Einstein à leis de Newton. Este período foi acompanhado e, sobretudo, apoiado por Christopher Morcom, um jovem igualmente genial e primeiro namorado, que morreu em uma epidemia de brucelose. Abalaram-se as ambições e afetou-se para sempre a sensibilidade amorosa de Alan Turing. Para honrar a memória de Morcom, dedicou-se ainda mais aos estudos. Foi aceito no King’s College, Universidade de Cambridge e foi discípulo de Harold Hardy, matemático famoso.

Em 1935, aos 23 anos Turing foi nomeado professor do King’s College, já reconhecido como brilhante pensador.

Primeiros estudos sobre computação

Em 1938, depois de passar dois anos na Universidade de Princeton, orientado por Alonzo Church, obteve seu Doutorado. A tese era sobre o conceito de hipercomputação. Alan imaginou uma máquina capaz de fazer qualquer tipo de cálculo, desde que lhe fossem dadas as instruções necessárias. Não se falava em chips ou processadores, apenas fórmulas matemáticas, mas, ali estava a descrição do que conhecemos hoje como computador e que permite que eu esteja teclando e, você, me lendo. No estudo “Os números computáveis aplicados ao Entscheidungsproblem” (Problema da Solução) publicado em 1936, foi reformulada a lingüagem formal universal para o que se conhece como “Máquina de Turing”: resolve qualquer problema matemático que se possa representar por um algorítmo. Continua sendo uma importante ferramenta para estudos de Matemática Pura. O Pai do moderno computador é considerado, também, o fundador da ciência de computação e o primeiro a desenvolver o conceito de inteligência artificial.

Decifrando o Enigma

Durante a Segunda Guerra Mundial, Alan Turing foi um dos principais pesquisadores em Bletchley Park - centro secreto do serviço de inteligência britânico.

Ali, realizou trabalho fundamental de criptografia, que ajudou a mudar os rumos da Segunda Guerra Mundial: quebrou o código de comunicações entre o alto comando de Hitler.

A máquina, chamada Enigma, usava um sistema de engrenagens que misturava as letras - como cartas de um baralho - antes de serem transmitidas pelos telégrafos.

Turing imaginou o Colossus - que um biógrafo chamou de “tataravô do PC “ - e chegou a decodificar cerca de 50 mil mensagens por mês. Enquanto homossexuais usavam triângulo rosa nos campos de concentração, um matemático homossexual literalmente zombava de Hitler, ajudando a abater submarinos e aviões germânicos e inventava uma teste - Teste de Turing - para decidir se máquinas pensam ou não. Em 1942, foi aos Estados Unidos decodificar os códigos japoneses. A quebra do código do Enigma foi mantida em segredo até os anos 70. Nem amigos mais próximos e nem a família jamais tiveram idéia do que se passou.

Tempos finais

Em 1952, um garoto de programa encontrado ao acaso e acompanhado de um cúmplice assalta a casa do gênio. Durante a queixa, dada na delegacia próxima, o policial pergunta como conheceu o acusado. Acontece que, naqueles tempos, assumir a orientação sexual significava receber acusação de “manifesta indecência e perversão “, segundo as leis britânicas sobre sodomia.

A mídia internacional acompanhou cada segundo do julgamento e informou a sentença: ou dois anos de encarceramento ou um ano de tratamento de “redução da libido”, à base de hormônios femininos.

Cresceram os seios e muitos outros efeitos secundários da overdose de estrogênios, mas Turing optou pela possibilidade de, livre, continuar trabalhando.

Consagrado em 1951 como membro da Royal Society, a partir do episódio de 1952 foi eliminado dos grandes projetos científicos.

Na manhã de 8 de junho de 1954, a faxineira encontrou o corpo de Turing. Na véspera, revelou a necrópsia, ele havia se deitado e mordido uma maçã mergulhada numa jarra com cianureto de potássio. Era admirador fanático do filme de Walt Disney “Branca de neve e os 7 anões” que viu pela primeira vez em 1938, em Cambridge, e reviu dezenas de vezes. Durante o tratamento hormonal cantava compulsivamente um trecho da trilha do filme que dizia, no original, “mergulha a maçã na jarrinha e deixa a morte, que nos adormece, entrar”.

Postado por BF.

23.06.2008

[00:00:14]

OFF TOPIC: O QUE EU REALMENTE FALEI A JORNALISTA DO G1

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Recebi uma ligação na manhã de quarta-feira, dia 11 de junho. A pessoa se apresentou como Claudia Loureiro, jornalista do portal G1. Queria saber a minha opinião sobre a mudança na sigla GLBT para LGBT - A única resolução da 1ª Conferência GLBT, ocorrida há poucos dias em Brasília, de que se tem notícia até o momento. Queria saber também a minha opinião sobre a proibição de doação de sangue pelos GLBTs por parte da Anvisa.

Fui pega de surpresa, pois, apesar de ser uma pessoa antenada nas notícias, a tal resolução sobre a mudança de sigla ainda não fazia parte de minhas atualizações. Mesmo assim, tentando entender o assunto e também aproveitar a oportunidade de falar para um publico maior, tentei passar minha idéia pessoal sobre os assuntos pautados. Para tal, acabei discorrendo sobre outras idéias, até mesmo para amparar melhor as minhas opiniões.

Falei sobre a fragmentação da “comunidade” lésbica em geral e sobre a falta de integração entre militância e “comunidade”.

Falei que não concordava com o fato de se misturar na mesma panela causas feministas e causas lésbicas. Apesar de serem causas com muitas coisas em comum - pois mulheres todas somos - eu não achava salutar levantar bandeiras de causas como, por exemplo, o aborto, estigmatizando ainda mais uma classe já tão estigmatizada.

Sobre a sigla GLBT, disse que nem a própria “comunidade” se entedia com ela, pois bastava se observar alguns poucos sites/blogs e etc., para se constatar as mais diversas variações da mesma. E que se era pra fazer, de fato, uma coisa inclusiva, na sigla também deveria constar o “I” de intersexos*. E que pelo andar da carruagem da diversidade, em pouco tempo teríamos todo alfabeto como sigla. Tipo aquela vitamina, aquela que vai de A a Zinco.

Disse sim que achava uma bobagem colocar o “L” na frente do “G”. Até porque, não creio que essa seja uma maneira de dar mais visibilidade às lésbicas como estão dizendo por aí, já que visibilidade não se faz com letrinhas mas sim com atitudes, o que aliás falta, e falta muito, entre as lésbicas.

Também comentei sobre o trabalho e confusão que por certo implicaria, por conta de mudar a posição de uma letra, mudar também o nome de tantas e tantas entidades e organizações, com assento inclusive em organismos internacionais.

Lembrei também que, além de toda essa confusão, e falta de orientação e unidade, muitos GLBTTIs ainda se referiam erradamente à sua orientação sexual com termos como “homossexualismo” e “opção”.

Que esse tipo de reivindicação, de mudança da ordem das letras da sigla, revelava mais uma estratégia utilizada pelo movimento feminista, de valorização das mulheres por meio de “tecnicalidades” com pouco conteúdo, do que uma atitude efetiva para dar força, representatividade e voz ao movimento das lésbicas.

Enfim, acho que acabei por cometer o “pecado” de tentar colocar muito conteúdo em pouco espaço ou fornecer muita informação para pouco tempo. Me esqueci que “tempo” não é uma dimensão válida para a imprensa e que tudo é feito “pra ontem”.

Assim, me vi inadequadamente surpresa diante das distorções, mudanças e descontextualizações que minhas palavras sofreram ao serem atabalhoadamente re-arranjadas no texto da jornalista, o que, sem dúvida gera muitos mal-entendidos e acaba por não expressar realmente o que penso e prego.

Quem me conhece, conhece meu trabalho, sabe como zelo pela clareza e exatidão de idéias e palavras. Por tudo isso, não poderia deixar de fazer esse esclarecimento e tentar colocar as minhas idéias nos seus devidos lugares.

ENTREVISTAS NUNCA MAIS!

*Intersexual é a pessoa que nasceu fisicamente entre (inter) o sexo masculino e o feminino, tendo parcial ou completamente desenvolvidos ambos os órgãos sexuais, ou um predominando sobre o outro.

Postado por BF.

22.06.2008

[22:16:00]

DIVERSIDADE SEXUAL, AFETO E DESEJO

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De uma maneira geral, a expressão da sexualidade fica reduzida a um coito, a uma relação sexual, não levando em conta outros aspectos, às vezes até nem ligados aos órgãos genitais, que são tão ou mais importantes que isso.

Essa supervalorização da sexualidade apenas circunscrita aos órgãos sexuais é percebida nas várias disfunções sexuais, de desejo, prazer, disfunções eréteis e ausência de orgasmo.

Geralmente, nossas crenças diversas, tais como nosso comportamento diante da vida, preconceitos e valores morais, desejos de felicidade e prazer, muitas vezes idealizados, nos levam a procurar no parceiro a segurança confortável, sem questionamentos ou dúvidas.

Mas como não há mentira que dure para sempre, principalmente quando mentimos para nós mesmos, é só prestarmos atenção, tentarmos nos ver lá no “escurinho” da alma e perceber que nas entrelinhas surgem sensações de espanto e desconforto quando nos deparamos desejando coisas e pessoas que se encontram fora do script.

Não raro desqualificamos, abandonamos ou agredimos verbal ou fisicamente aquilo que meramente não compreendemos na medida em que somos fruto do meio, e o meio, por mais que lutemos, tem uma força enorme nas nossas vidas.

A intolerância com que o mundo lida com as diversidades sexuais é diretamente proporcional à intolerância que reservamos aos nossos próprios desejos quando esses não correspondem à imagem que fazemos da nossa vida “hollywoodiana”, certinha como um filme.

Na teoria, a liberdade é um sentimento que todos nós perseguimos, mas na prática só conseguimos quando temos coragem de viver em harmonia com o que sentimos, pois quando foge do padrão somos invadidos por um vendaval não de vento, mas de culpas, sentindo-nos imorais ou doentes.

Imoral é a sociedade que não valoriza o afeto e o desejo na construção de uma relação afetiva. Heteros, homos, bi e trans são, antes de tudo, pessoas desejosas, todas elas, de expressar o amor.

Compreender essa diversidade significa exercer a sexualidade com respeito pela própria natureza e pela dos outros.

© Márcia Atik

Márcia Atik: psicóloga clínica, conferencista, com especialização em Sexualidade, Terapia de Família e Casal. É membro do Centro de Estudos e Pesquisas do Comportamento e Sexualidade (CEPCOS).

Postado por BF.