16.05.2008

[22:52:09]

17 DE MAIO - DIA MUNDIAL DE COMBATE A HOMOFOBIA

Historicamente, no dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade do rol de enfermidades, sendo que até então era considerada como doença ou perversão. O referido ato reconheceu que a homossexualidade é um estado mental tão saudável quanto a heterossexualidade, sendo um dos mais importantes marcos para o avanço da cidadania e de direitos de gays, lésbicas e transgêneros.

18 ANOS DEPOIS - 18 YEARS LATER

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SÃO FRANCISCO, EUA, 15 Mai 2008 (AFP) - A Suprema Corte da Califórnia decidiu nesta quinta-feira que a proibição estatal ao casamento gay é inconstitucional, dando assim liberdade para pessoas do mesmo sexo se casarem no Estado mais povoado dos Estados Unidos.

Em uma decisão que, segundo especialistas, poderá ter impacto em todo o país, o tribunal argumentou que permitir o matrimônio legal apenas entre um homem e uma mulher é discriminatório, segundo um extenso documento da Corte.

“Limitar a designação de matrimônio à união ‘entre um homem e uma mulher’ é inconstitucional e deve ser retirado do estatuto”, considerou em um comunicado o presidente da Corte, Ron George.

Com essa decisão, abrem-se tecnicamente as portas para casamentos de pessoas de mesmo sexo no estado da Califórnia, que se torna o segundo estado do país, depois de Massachusetts, em reconhecer esse direito a comunidade homossexual.

Nos estados de Nova Jersey e Vermont existem leis que garantem ao casal gay uma série de direitos legais similares aos de um casamento heterossexual, como herança e divisão de bens.

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“A Suprema Corte da Califórnia teve a integridade e a coragem de fazer isso e diz que todos os californianos têm direito à igualdade perante a lei”
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“Esperamos por mais de 50 anos a oportunidade de nos casarmos”, contou Phyllis Lyon, de 80 anos, muito emocionada, que há mais de meio século vive com sua companheira, Del Martin, de 84.
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A organização Human Rights Watch (HRW), com base em Nova York, declarou que a sentença “ratificou que a igualdade não vem com exceções“.
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BRASIL - 2003

“Não pode um país que inseriu em sua constituição o respeito à diversidade cultural, o reconhecimento da liberdade de expressão, a proteção à intimidade e à vida privada e o repúdio a toda forma de discriminação, omitir-se na luta de mais de 16 milhões de brasileiros que seguem uma orientação sexual diferente da tradicional” - Laura Carneiro - por acasião da aprovação do Projeto de Lei 379/03, de sua autoria, que institui 28 de junho como o Dia Nacional do Orgulho Gay.

BRASIL - 2008

Pouco coisa mudou…

Postado por BF.

14.05.2008

[16:20:05]

LÉSBICAS - ENTRE O FETICHE MASCULINO E A CURIOSIDADE FEMININA

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É inegável a grande excitação que a idéia de 2 mulheres na cama suscita. A carga de erotismo é alta e parece estar entre as 3 maiores fantasias masculinas e cada vez mais ouvimos mulheres hetero revelando sua curiosidade em estar sexualmente com outra mulher, ou de fazer ménage a trois, seja para agradar a si mesmas ou a seus namorados/maridos. Salas de chats para lésbicas e boates GLS recebem visitas freqüentes de “casais”. E parece que há um “boom” no número de bissexuais ou bi-curious, como se diz em inglês. A lesbianidade está mais visível e naturalmente provocando mais curiosidade: “Afinal, o que duas mulheres fazem na cama?”, “Que gosto tem a xana?”, “Qual a textura da boca de uma mulher?”, “Será que mulheres fodem melhor outra mulher porque também são mulheres?”, e por aí vai.

Observamos coisas interessantes. Muitas lésbicas recebem com grande desconfiança e até mesmo desprezo essa bi-curiosidade toda. “Mulher transar com mulher está na moda”, elas dizem; que agora é “in” mulher ficar com mulher e que qualquer menininha atualmente diz que é “bi” para ser “muderna”; que a maioria sairia correndo se tivesse que encarar uma buceta de frente ou tivesse que enfrentar um mundo de preconceitos para sustentar um relacionamento não-convencional. Elas só querem ser “Tatus”, lésbicas “fashion”, sem maiores conseqüências e responsabilidades.

Muitas mulheres hetero nos escrevem dizendo que despertaram seu desejo por mulheres após ler o blog. Se o desejo já estava latente lá dentro delas ou não, é para se pensar.

Outras dizem que seus maridos/namorados jamais teriam ciúme se elas tivessem um relacionamento com outra mulher. Hum, interessante. E por que não? Tente responder aí. Outro homem não pode mas outra mulher pode? Isso dá muito papo para a happy hour no barzinho.

Outros papos que chegam até nós são os de homens ou casais atrás de uma segunda mulher para dividir a cama com eles. Boa parte das mulheres diz que quer agradar ao marido/namorado, os dois dizem que serve para dar uma “vitaminada” no relacionamento, homens dizem que é um grande tesão e um energético para o ego ter duas mulheres à sua disposição… é uma maneira de ter variedade sexual e não exatamente “trair” sua parceira fixa. Vários casais reclamam da dificuldade de arranjar uma parceira entre as lésbicas e em lugares GLS: “as lésbicas parecem que odeiam os homens!”. Mas o negócio é o seguinte: não adianta querer comprar pão em açougue, nem flor em peixaria… para achar meninas que topem ménage é preciso buscar nos lugares certos, tanto no mundo virtual (por exemplo, anunciando) ou no mundo real, como em clubs de sexo e swing. É muito engraçado observar um casal que vai pela primeira vez a um lugar GLS: eles parecem que aterrisaram na Disneylândia do sexo, ficam tensos, antenas ligadas… o engraçado é que muitas garotas estão lá na maior caretice com sua namoradinha, umas querem mais é dançar e beber, zoar com os amigos, outras estão atrás de uma namorada, outras procurando uma “ficada” ocasional… mas com outra mulher. E pode até ser que tenha uma ou outra atrás de uma arrojada sexual a 3 ou grupal… só achamos que (e isso é nossa impressão) uma mulher dificilmente irá a um lugar GLS atrás de sexo com um casal hetero… Portanto, achar ou não parceiras em lugares GLS vai ser questão de sorte, assim como numa boate hetero também. Para falar a verdade achamos que uma boate hetero sai até ganhando nesse caso… afinal, parece que está na moda…

Ser lésbica NÃO é ser sinônimo de gostar de colocar outras pessoas na sua cama além da sua própria parceira… nem que sejam outras mulheres. Aliás, não significa nem ser liberal ou gostar de sexo! Cada um é cada um, com seu cada um… Lésbicas gostam de sexo… como qualquer outra pessoa. Ser lésbica significa ter sua afetividade voltada para o mesmo sexo, o que não significa gostar de qualquer pessoa do mesmo sexo. Há lésbicas que gostam de transar com mais de uma mulher ao mesmo tempo, outras não. Há lésbicas que até transam com homens de vez em quando, embora se considerem lésbicas, da mesma maneira que muitas mulheres que transam com mulheres preferem se auto-denominar bissexuais ou até mesmo heteros. É estranho para nós o estereótipo que fazem dos homossexuais femininos e masculinos de que eles irão dar em cima de qualquer pessoa do mesmo sexo na primeira oportunidade, todos tarados! Isso, se vocês pensarem, é uma desumanização do outro, como se o homossexual não tivesse os mesmos sentimentos de um heterossexual. Caríssimos: homens e mulheres gays gostam de sexo tanto quanto VOCÊS; ou seja, tem gente que gosta MUITO, tem gente que gosta médio, tem gente que nem curte muito.Tem lésbica liberal e bem resolvida na cama, há outras centenas cheias de encucações. Ser homossexual não significa ser liberal, liberado, progressista. Naninanão. E muito menos libertino (ou como bem lembrou um leitor, ser gay não é sinônimo de promiscuidade).

Que fique bem claro que nós aqui no UNV não temos nada contra sexo a 3 ou grupal ou com homens. Como dissemos, cada um com seu cada um. Temos nossas preferências, mas respeitamos e celebramos a diversidade sexual. Se é consensual e entre pessoas que tem maturidade para entender o que estão fazendo, tudo vale. O que nos incomoda é a visão deturpada da homoafetividade. E por isso tentamos esclarecer.

Texto © 2003-2006 Uva Na Vulva - Todos os direitos reservados

Postado por BF.

13.05.2008

[08:00:22]

TODO PRECONCEITO É RÍDICULO

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Éramos todos negros

A você que se orgulha da cor da própria pele (seja ela qual for), tenho um conselho: não seja ridículo.

Até ontem, éramos todos negros. Você dirá: se gorilas e chimpanzés, nossos parentes mais chegados, também o são, e se os primeiros hominídeos nasceram justamente na África negra há 5 milhões de anos, qual a novidade?

A novidade é que não me refiro a antepassados remotos, do tempo das cavernas (em que medíamos um metro de altura), mas a populações européias e asiáticas com aparência física indistinguível da atual.

Trinta anos atrás, quando as técnicas de manipulação do DNA ainda não estavam disponíveis, Luca Cavalli-Sforza, um dos grandes geneticistas do século 20, conduziu um estudo clássico com centenas de grupos étnicos espalhados pelo mundo.

Com base nas evidências genéticas encontradas e nos arquivos paleontológicos, Cavalli-Sforza concluiu que nossos avós decidiram emigrar da África para a Europa há meros 100 mil anos.

Como os deslocamentos eram feitos com grande sacrifício, só conseguiram atingir as terras geladas localizadas no norte europeu cerca de 40 mil anos atrás.

A adaptação a um continente com invernos rigorosos teve seu preço. Como o faz desde os primórdios da vida na Terra sempre que as condições ambientais mudam, a foice impiedosa da seleção natural ceifou os mais frágeis. Quem eram eles?

Filhos e netos de negros africanos, nômades, caçadores, pescadores e pastores que se alimentavam predominantemente de carne animal. Dessas fontes naturais absorviam a vitamina D, elemento essencial para construir ossos fortes, sistema imunológico eficiente e prevenir enfermidades que vão do raquitismo à osteoporose; do câncer, às infecções, ao diabetes e às complicações cardiovasculares.

Há 6.000 anos, quando a agricultura se disseminou pela Europa e fixou as famílias à terra, a dieta se tornou sobretudo vegetariana.

De um lado, essa mudança radical tornou-as menos dependentes da imprevisibilidade da caça e da pesca; de outro, ficou mais problemático o acesso às fontes de vitamina D.

Para suprir as necessidades de cálcio do esqueleto e garantir a integridade das demais funções da vitamina D, a seleção natural conferiu vantagem evolutiva aos que desenvolveram um mecanismo alternativo para obter esse micronutriente: a síntese na pele mediada pela absorção das radiações ultravioletas da luz do sol.

A dificuldade da pele negra de absorver raios ultravioletas e a necessidade de cobrir o corpo para enfrentar o frio deram origem às forças seletivas que privilegiaram a sobrevivência das crianças com menor concentração de melanina na pele.

As previsões de Cavalli-Sforza foram confirmadas por estudos científicos recentes.

Na Universidade Stanford, Noah Rosemberg e Jonathan Pritchard realizaram exames de DNA em 52 grupos de habitantes da Ásia, África, Europa e Américas.

Conseguiram dividi-los em cinco grupos étnicos cujos ancestrais estiveram isolados por desertos extensos, oceanos ou montanhas intransponíveis: os africanos da região abaixo do Saara, os asiáticos do leste, os europeus e asiáticos que vivem a oeste do Himalaia, os habitantes de Nova Guiné e Melanésia e os indígenas das Américas.

Quando os autores tentaram atribuir identidade genética aos habitantes do sul da Índia, entretanto, verificaram que suas características eram comuns a europeus e a asiáticos, achado compatível com a influência desses povos na região.

Concluíram, então, que só é possível identificar indivíduos com grandes semelhanças genéticas quando descendem de populações isoladas por barreiras geográficas que impediram a miscigenação.

No ano passado, foi identificado um gene, SLC24A5, provavelmente responsável pelo aparecimento da pele branca européia.

Num estudo publicado na revista “Science”, o grupo de Keith Cheng seqüenciou esse gene em europeus, asiáticos, africanos e indígenas do continente americano.

Tomando por base o número e a periodicidade das mutações ocorridas, os cálculos iniciais sugeriram que as variantes responsáveis pelo clareamento da pele estabeleceram-se nas populações européias há apenas 18 mil anos.

No entanto, como as margens de erro nessas estimativas são apreciáveis, os pesquisadores tomaram a iniciativa de seqüenciar outros genes, localizados em áreas vizinhas do genoma. Esse refinamento técnico permitiu concluir que a pele branca surgiu na Europa, num período que vai de 6.000 a 12 mil anos atrás. A você, leitor, que se orgulha da cor da própria pele (seja ela qual for), tenho apenas um conselho: não seja ridículo.

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Por Drauzio Varella

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Artigo publicado no Caderno Folha Ilustrada da Folha de São Paulo em 26/04/2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2604200831.htm
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Obs: re-publicação em homenagem ao 13 de maio.

Postado por BF.